Glossofobia e Timidez não são doenças

Glossofobia e Timidez não são doenças

Confira o que os dois comportamentos têm em comum e dicas para superar as limitações que eles possam oferecer em sua vida.

No último domingo, 12, o programa Fantástico, da Rede Globo, iniciou uma série de reportagens bem interessante sobre a Glossofobia. Diferente do que muitos pensam a glossofobia, assim como a timidez, não é uma doença, na verdade é um comportamento. E sabe o que eles têm em comum?

A verdade é que a Glossofobia ou medo de falar em público, é mais um dos desafios que os tímidos também enfrentam. E este pode limitar a vida pessoal, profissional e escolar da pessoa que enfrenta esta dificuldade. Mas também existem pessoas que possuem o medo de falar em público e não são tímidas. E é aí que os dois comportamentos divergem.

É muito comum a pessoa sentir dificuldades e se sentir limitada em algumas áreas específicas e não em outras. Isso que dizer que ela tem algumas habilidades superdesenvolvidas e outras não. E isso é mais do que normal e esperado.

E porque uns tem mais medo de falar em público que outros? A resposta talvez esteja no fato de alguns serem mais críticos consigo mesmos que outros. Por apresentar reações fisiológicas extremas com medo excessivo e ansiedade super alta, a pessoa tende a acreditar que os outros que a estão observando vão perceber seu medo, seu desconforto e até mesmo seus pensamentos. Isto a deixa em estado de alerta e vive como se estivesse de frente para um perigo eminente, o que altera em muito seus mecanismos fisiológicos com taquicardia, sudorese excessiva, tremor, boca seca, entre outros.

HABILIDADES PODEM SER APRENDIDAS

Desenvolver a habilidade de se expor em público ajuda em muito a vida pessoal, profissional e escolar. E esta habilidade pode ser desenvolvida como tantas outras que aprendemos e construímos ao longo da vida.

Na hora que a pessoa se vê diante de uma situação de exposição ela tem uma espécie de bombardeio em seu corpo. Acontecem mudanças na emoção, tende a sentir medo ou uma ansiedade exagerada, tende a ter vários pensamentos automáticos negativos, acompanhados de reações fisiológicas desconfortáveis. O primeiro comportamento que a pessoa tende na hora é evitar, é fugir correndo dali, daquela situação que a deixa vulnerável, onde ela sente que não terá recursos para enfrentar a situação problema. Na grande maioria dos casos é o que a pessoa tende ou tenta fazer de imediato.

Mas ao longo da vida, nos são apresentadas situações onde esquivar ou fugir dessas situações passam a trazer vários prejuízos como, por exemplo, não participar de reuniões, de congressos, de cursos que trarão um grande crescimento profissional. A pessoa deixa de viver oportunidades em sua vida pessoal, profissional e escolar, tendo prejuízos que podem levá-la a se sentir ainda mais incapaz e piorar ainda mais esta dificuldade.

No momento em que a pessoa que passa por esta dificuldade resolve se expor, ela pode ter alterações fisiológicas tão intensas e desconfortáveis que se sente travada e fica ali, paralisada. Outros começam a chorar, outros sentem desconforto abdominal, etc. Vale ressaltar que a pessoa fica tão tomada pelos sintomas que sente que o foco de sua atenção fica totalmente voltado ou para seus sintomas fisiológicos desconfortáveis, ou acaba sendo guiada pelo medo do julgamento do outro. Quando entra nesse caminho, tem inúmeros pensamentos automáticos negativos que a fazem se sentir ainda mais ansiosa ou com medo, aumentando ainda mais os sintomas de desconforto. Assim, entra num ciclo vicioso que a consome e a leva a reações extremas de choro, por exemplo.

Se você é tímido e possui esta dificuldade ou, se não se considera tímido, mas percebe que precisa desenvolver esta habilidade, vão aqui algumas dicas:

1. Da próxima vez que isto acontecer com você, não se deixe levar pelas suas emoções e sensações fisiológicas;

2. Deixe sua razão e sua inteligência te ajudarem nesses momentos;

3. Não dê tanta atenção às reações de seu corpo, aos sintomas que se apresentam;

4. Volte o foco de sua atenção ao que precisa ser falado, ao tema que você vai apresentar;

5. Desista da ideia de que sabe o que os outros da plateia estão pensando a seu respeito;

6. Você não sabe o que eles estão pensando a seu respeito, você não tem bola de cristal para adivinhar o que eles pensam sobre você;

7. No momento que fora se apresentar foque sua atenção no que vai falar, em sua respiração, no tom de voz que está usando;

8. Deixe de ser tão crítico com você mesmo e saiba que o outro não te olha com o mesmo nível de exigência que você.